Saudações:

Em homenagem e reverência profunda à minha Mestra de Ordenação e Treinamento, Venerável Shingetsu Coen Osho.
Que seu Corpo-Dharma, seja como um diamante inquebrantável.
Que tenha próspera longevidade e saúde ilimitada.
Que nenhum mal a atinja.
Que todos os seus esforços sejam recompensados.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Linhagem da Monja Coen.


ÍNDIA
1.       MAKAKASHO
2.       ANANDA
3.       SHONAWASHU
4.       UBAGIKUTA
5.       DAITAKA
6.       MISHAKA
7.       BASHUMITSU
8.       BUTSUDANANDAI
9.       FUDAMITA
10.    BARISHIBA
11.    FUNAYASHYA
12.    ANABOTEI
13.    KABIMORA
14.    NAGYAHARAJUNA
15.    KANADAIBA
16.    RAGORATA
17.    SOGYANANDAI
18.    KAYSHATA
19.    KUMORATA
20.    SHAYATA
21.    BASHUBANZU
22.    MANURA
23.    KAKUROKUNA
24.    SHSISHIBODAI
25.    BASHASHITA
26.    FUNYOMITA
27.    HANNYATARA

CHINA
28.    BODAIDARUMA
29.    TAISO EKA
30.    KANCHI SOSAN
31.    DAII DOSHIN
32.    DAIMAN KONIN
33.    DAIKAN ENO
34.    SEIGEN GYOSHI
35.    SEKITO KISEN
36.    YAKUSAN IGEN
37.    UNGAN DONJO
38.    TOZAN RYOKAI
39.    UNGO DOYO
40.    DOAN DOHI
41.    DOAN KANSHI
42.    RYOSAN ENKAN
43.    TAIYO KIYOGEN
44.    TOSHI GISEI
45.    FUYO DOKAI
46.    TANKA SHIJUN
47.    CHORO SEIRIYO
48.    TENDO SOKAKU
49.    SECCHO CHIKAN
50.    TENDO NYOJO

JAPÃO
51.    EIHEI DOGEN
52.    KOUN EJO
53.    TETSU GIKAI
54.    KEIZAN JOKIN
55.    GASAN JOSEKI
56.    TSUGEN JAKUREI
57.    FUSAI ZENGU
58.    GYOKU SO RIOTIN
59.    SHOKAI JIKO
60.    MIOSHITSU ETO
61.    KOKUGAN SHUHO
62.    SUIAN SHOSEN
63.    JOAN SHOTO
64.    SAN NO JUIN
65.    CHUMYO ZENTEKI
66.    DAISEN JUNCHI
67.    FUI EIRYO
68.    MUIN EYU
69.    IPPO SOJUN
70.    MOAN SOSHUKU
71.    KOSETSU JUNSA
72.    SHINAN GENTATSU
73.    GEKKAI SOJU
74.    NANRIYU SONJUN
75.    TAKUCHU YUTON
76.    GOKEI YOTON
77.    GOHO YOJU
78.    TENGAN SHUNSA
79.    OSAN YOSA
80.    HAKUDO JURIN
81.    GETSUDO KAIIN
82.    GEKKO RIOMON
83.    KODO SOUN
84.    KOHAN TESUZAN
85.    SOKAI TETSURIYU
86.    UMON KATSURIYU
87.    SHUDO TETSUKAN
88.    ISSEKI TETSUGAN
89.    TAINO TETSUSHI
90.    ZENGETSU SUIGAN
 
OCIDENTE – BRASIL
91.    SHINGETSU COEN
SER ZEN
Ser zen não é ficar numa boa o tempo todo, de papo para o ar, achando tudo lindo sem fazer nada.
Ser zen é ser ativo. É estar forte e decidido. E caminhar com leveza, mas com certeza. É auxiliar a quem precisa, no que precisa e não no que se idealiza.
Ser zen é ser simples. Da simplicidade dos santos e dos sábios. Que não precisam de nada. Nada mais que o necessário. Para o encontro, a comida, a cama, a diversão, o trabalho.
Ser zen é fluir com o fluir da vida. Sem drama, sem complicação. Na hora de comer come comendo, sem ver televisão, sem falar desnecessário. Sente o sabor do alimento, a textura, o condimento. Sente a ternura (ou não) da mão que plantou e colheu, da terra que recebeu e alimentou, do sol que deu energia, da água que molhou, de todos os elementos que tornam possível um pequeno prato de comida à nossa frente. Sente gratidão, não desperdiça.
Come com alegria. Para satisfazer a fome de todos os famintos. Bebe para satisfazer a sede de todos os sedentos. Agradecendo e se lembrando de onde vem e para onde vai.
A chuva, o sol, o vento.
O guarda, o policial, o bandido, o açougueiro, o juiz, a feiticeira, o padre, a arrumadeira, o bancário e o banqueiro, o servente e o garçom, a médica e o doutor, o enfermeiro e o doente, a doença e a saúde, a vida e a morte, a imensidão e o nada, o vazio e o cheio, o tudo e cada parte.
Ser zen é ser livre e saber os seus limites.
Ser zen é servir, é cuidar, é respeitar, compartilhar.
Ser zen é hospitalidade, é ternura, é acolhida.
Ser zen é o kyosaku, bastão de madeira sábia, que acorda sem ferir, que lembra deste momento, dos pés no chão como indígenas, sentindo a Terra-Mãe sustentando nossos sonhos, nossas fantasias, nossas dores, nossas alegrias.
Ser zen é morrer
Morrer para a dualidade, para o falso, a mentira, a iniqüidade.
Ser zen é renascer a cada instante. Na flor, na semente, na barata, no bicho do livro na estante.
Ser zen é jamais esquecer de um gesto, de um olhar, de um carinho trocado no presente-futuro­passado.
Ser zen é não carregar rancores, ódios, cismas nem terrores.
Ser zen é trocar pneu, as mãos sujas de graxa.
Ser zen é ser pedreiro, fazendo e refazendo casas.
Ser zen é ser simplesmente quem somos e nada mais. É ser a respiração que respira em cada ação. É fazer meditação, sentar-se para uma parede, olhar para si mesmo. Encontrar suas várias faces, seus sorrisos, suas dores. É entregar-se ao desconhecido aspecto do vazio. Não ter medo do medo. Não se fazer ou, se o fizer, assim o perceber e voltar.
Ser zen é voltar para o não-saber, pois não sabemos quase nada. Não sabemos o começo, nem o meio, muito menos o fim. E tudo tem começo, meio e fim.
Ser zen é estar envolvido nos problemas da cidade, da rua, da comunidade. É oferecer soluções, ter criatividade, sorrir dos erros, se desculpar e sempre procurar melhorar.
Ser zen é estar presente. Aqui, neste mesmo lugar. Respirando simplesmente, observando os pensamentos, memórias, aborrecimentos, alegrias e esperanças.
Quando? Agora, neste instante. É estar bem aqui onde quando se fala já se foi. Tempo girando, correndo, passando, e nós passando com ele. Sem separação.
Ser zen é Ser Tempo.
Ser zen é Ser Existência.
Autora: Monja Coen
Fonte:
Livro - Sempre Zen
Editora:
Publifolha

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Parinirvana
Parinirvana

Buda deitou-se entre duas árvores de troncos esbranquiçados. Lua cheia. Noite na mata estranhamente silenciosa. Ananda, seu atendente de tantos anos, lamentava-se pela despedida a seu mestre.
Ananda não estava só. Um grande número de discípulos, discípulas, monásticos e laicos cercavam seu leito de folhas.
Dizem que até mesmo animais, feras e pequenos bichinhos, todos vieram se despedir de Buda em seus momentos finais.
Sereno, Buda fez seu ultimo ensinamento.
Estava quase entrando em Parinirvana.
Não dizemos que um Buda morre. Budas entram em Parinirvana. Adentram a grande tranquilidade.
Segundo pesquisadores japoneses, comparando calendários, cenários, datas, chegaram a conclusão que teria sido no dia 15 de fevereiro cerca de dois mil e seiscentos anos atrás, quando Xaquiamuni Buda entrou Parinirvana, em Kushinagara, ao norte da Índia.
Cito abaixo alguns trechos das palavras de despedida de Buda.
A mente desonesta é incompatível com o Caminho. Por esta razão devem cultivar a honestidade.
A pessoa de muitos desejos, que procura grandiosidde apenas para si mesma, sofre muito.
Uma pessoa de poucos desejos não manipula a mente dos outros através da desonestidade. A mente de quem tem poucos desejos é tranquila e sem preocupações.
Para se libertar de todo o sofrimento é preciso conhecer o contentamento.
O contentamento é a condição da prosperidade e do bem estar.
Sintam prazer na quietude e na tranquilidade. As pessoas ávidas por companhiam sofrem dificuldades por excesso de companhia, assim como uma árvore corre o risco de murchar se muitos pássaros viverem nela.
Mantenham o esforço correto, a diligência, assim como o constante gotejar da água fura uma rocha.
Não percam a atenção correta ao procurar por um mestre ou um amigo. Se perderem a atenção correta, as paixões poderão entrar e perderão todos os méritos.
A mente devem estar concentrada, capaz de compreender o surgir e o desaparecer de todas as coisas no mundo.
Se tiverem sabedoria não terão ganância. Se possuirem o brilho da sabedoria poderão ver claramente, com seus próprios olhos.
Se quiserem obter a benção de Nirvana (paz), devem extinguir o mal de falar à toa. Não se engajem de forma leviana em conversas inúteis
Este é o ensinamento final.
Não se lamentem. Não existe encontro sem despedida.
Façam da Verdade o seu mestre e eu viverei para sempre.
Hoje, ao celebrar o Parinirvana de Buda deixo a vocês as seguintes questões:
Se voce soubesse que ira morrer em algumas horas, estivesse em plena lucides e cercada /cercado de seus filhos, netos, amigos, alunos, discípulos, parentes, pessoas amadas, colaboradores, o que diria a eles?
Qual é o seu ensinamento final?
Qual a mensagem de sua vida?
Reflita em si mesmo.

Mãos em prece
Monja Coen

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

UMA COISA DE CADA VEZ

Certa vez, muito intrigado, um discípulo abordou seu velho mestre:

- Como o senhor, de idade tão avançada, parece ainda mais novo que nós? Como pode estar sempre tão bem disposto e alegre?
...
A resposta veio em seguida, mas naquele tom calmo, comum aos sábios, ondulante e com todas as pausas:

- Quando eu como, eu como. Quando eu durmo, eu durmo.

Essa pequena história, de nobre mas desconhecida origem oriental, nos dá pistas para investigar um tema que muito nos interessa nos dias de hoje: a dificuldade que temos ao tentar fazer uma coisa de cada vez.
"Uma das principais causas de fracasso no mundo é a falta de concentração. A atenção é como a luz de uma lanterna: quando seus raios são espalhados em uma área vasta, sua habilidade de focalizar um único objeto se torna fraca, mas se focalizado em uma coisa de cada vez, torna-se poderosa. Grandes homens são os de concentração: eles investem todo o poder mental em uma coisa de cada vez". Paramahansa Yogananda, filósofo oriental hindu.
Não abra mão de nada no mundo; de nenhuma das frutas à disposição na árvore da vida, bem à nossa frente. Mas nunca tente apanhá-las nem saboreá-las todas ao mesmo tempo. Uma de cada vez, ou o engasgo será inevitável.

O físico nos informa que a mesma energia aplicada a dois trabalhos vai provocar sua dispersão. O bioquímico diz que um receptor da membrana de uma célula não receberá dois estímulos químicos ao mesmo tempo. O psicólogo sinaliza para o fato de que dois esforços mentais simultâneos provocarão ansiedade e estresse. E o poeta, o que diz o poeta? Lembro-me de Ascenso Ferreira, em "Filosofia":

Hora de comer - comer!

Hora de dormir - dormir!

Hora de namorar - namorar!

Hora de trabalhar? - Pernas pro ar que ninguém é de ferro!
 
Extraída da revista Vida Simples, julho/2003.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

RESPONSABILIDADE BÁSICA

Quando você começa a ficar responsável em relação a si ...mesmo, começa a abandonar suas máscaras. Os outros começam a se sentir perturbados, porque eles sempre tiveram expectativas e você satisfazia essas exigências. Agora eles sentem que você está ficando irresponsável.

Quando os outros dizem que você está sendo irresponsável, estão simplesmente dizendo que você está saindo do controle deles. Você está ficando mais livre. Para condenar o seu comportamento, eles o chamam de irresponsável.

Na verdade, sua liberdade está crescendo e você está se tornando responsável. Responsabilidade significa a habilidade de responder. Ela não é uma obrigação que precisa ser satisfeita no sentido comum. Ela é capacidade de responder, sensibilidade.

Porém, quanto mais sensível você se tornar, mais descobrirá que muitas pessoas acham que você está ficando irresponsável – e você precisa aceitar isso -, porque os interesses delas, os investimentos delas não serão satisfeitos. Muitas vezes você não satisfará as suas expectativas, mas ninguém está aqui para satisfazer as expectativas dos outros.

A responsabilidade básica é para com você mesmo. Assim, um meditador primeiro se torna muito egoísta. Porém, mais tarde, quando ele ficar mais centrado, mais enraizado em seu próprio ser, a energia começará a transbordar. Mas isso não é uma obrigação, não é que a pessoa precise fazê-lo. Ela adora fazê-lo; trata-se de um compartilhar.

Osho

A CAVERNA DE PLATÃO (428-348 a.C.)

Imagine um grupo de pessoas que habita o interior de uma caverna subterrânea, estando todas de costas para a entrada da caverna e acorrentadas, de sorte que tudo o que vêem é a parede da caverna. Atrás delas ergue-se um muro alto e por trás desse muro passam figuras de formas humanas sustentando outras figuras que se elevam para além da borda do muro.

Como há uma fogueira queimando atrás dessas figuras, elas projetam sombras na parede da caverna. Assim, a única coisa que as pessoas da caverna podem ver é este “teatro de sombras”.
E como essas pessoas estão ali desde que nasceram, elas acham que as sombras que vêem são a única coisa que existe.
Imagine agora que um desses habitantes da caverna consiga se libertar daquela prisão. Primeiramente ele se pergunta de onde vêm aquelas sombras projetadas na parede da caverna.
Depois consegue se libertar dos grilhões que o prendem. E o que acontece quando ele se vira para as figuras que se elevam para além da borda do muro?
Primeiro, a luz é tão intensa que ele não consegue enxergar nada. Depois, a precisão dos contornos das figuras, de que ele até então só vira as sombras, ofusca a sua visão.
Se ele conseguir escalar o muro e passar pelo fogo para poder sair da caverna, terá mais dificuldade ainda para enxergar devido à abundância de luz.
Mas depois de esfregar os olhos, ele verá como tudo é bonito. Pela primeira vez verá cores e contornos precisos; verá animais e flores de verdade, de que as figuras na parede da caverna não passam de imitações baratas.
Suponhamos, então, que ele comece a se perguntar de onde vêm os animais e as flores. Ele vê o Sol brilhando no céu e entende que o Sol dá vida às flores e aos animais da natureza, assim como também era graças ao fogo da caverna que ele podia ver as sombras refletidas na parede.
Agora, o feliz habitante das cavernas pode andar livremente pela natureza, desfrutando da liberdade que acabara de conquistar. Mas as outras pessoas que ainda continuam lá dentro da caverna não lhe saem da cabeça.
E por isso ele decide voltar. Assim que chega lá, ele tenta explicar aos outros que as sombras na parede não passam de trêmulas imitações da realidade.
Mas ninguém acredita nele.
As pessoas apontam para a parede da caverna e dizem que aquilo que vêem é tudo o que existe; é a única verdade que existe; é a realidade.
Por fim, acabam matando aquele que retornou para dizer-lhes um monte de "mentiras".
Platão, República, Livro 7
(adaptações: Paulo A. Duarte - Professor do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

RESPIRAÇÃO
"Se quiser conhecer a si mesma, a respiração é a corda que leva ao fundo do poço" - ouvi essa frase repetidas vezes durante minhas aulas semanais de Yoga.
"Respirar é preencher espaços" insiste sempre minha professora Walkiria Leitão.
Ela foi aluna do professor Shimada, de dona Inês, do professor Garoti e de tantos outros mestres e mestras de Yoga, Filosofia, Espiritualidade, Fisiologia.
Para ser intrutor, instrutora de Yoga ou do Zen Budismo, é preciso conhecer corpo-memte-espírito com grande intimidade.
Estar em contato com a respiração é estar em contato com nossa maior intimidade, com a essência que nos faz ser. Interser.
MInha superiora no Japão, a Abadessa do Mosteiro Feminino de Nagóia, Aoyama Shundo Docho Roshi costumava dizer que são necessários dez anos para se formar uma monja, vinte anos para se formar uma professora monja e trinta anos para se formar uma mestra zen. Não é assim mesmo? Muitas vezes queremos transpor etapas, procuramos atalhos, mas essa ansiedade apenas nos afasta do próprio Caminho, que náo é curto nem longo. É apenas, assim como é.
Inspirar e expirar conscientemente. Pausa.
Inspiração. Pausa. Expiração longa, lenta, devagar.
Vai-se tornando sutil e profunda. Leve.

Não significa apenas que durante o Pranayama respiremos mais oxigênio. Pode ser o contrário. Mas criamos condições para que durante todo o dia possamos respirar melhor e oxigenar melhor as células de nosso corpo.
Vontade de respirar e não vontade de respirar.
Vontade de pensar e não vontade de pensar. Diferente de vontade de não pensar. Diferente de vontade de não respirar.


Depois de alguns exercícios de Pranayama, Marcos Rojo me surpreendeu com essas frases. Estávamos no encontro anual de Yoga e Budismo, em Ubatuba, nos feriados de Corpus Cristie.

Com que simplicidade profunda os ensinamentos sagrados eram transmitidos.

Suas palavras esclareciam aquilo que o fundador da minha ordem religiosa no Japão, Mestre Eihei Dogen (1200-1253) escreveu há tantos séculos:
"Existe o pensar, existe o não pensar e além do pensar e do não pensar."

Sempre achei difícil explicar em palavras o que isso significa. De repente, na aula de Yoga, lá estava, palpável, a experiência pura.
Inspirávamos, retínhamos o ar e expirávamos lentamente. E onde estavam os pensamentos? E a vontade de respirar ou de pensar?
O som da sala era o som das ondas do mar.

Muitas pessoas acreditam que meditar é silenciar a mente, evitar todo e qualquer pensamento, e assim se esforçam para não pensar. Quanto mais se esforçam mais difícil fica a meditação verdadeira, o samadhi profundo. Cria-se uma idéia, um conceito de samadhi. Há muitas pessoas que desistem de meditar porque não conseguem passar a barreira sem barreira, o portal sem portas do Zen.
Fiquei me lembrando de um retiro que fiz há cerca de trinta anos. Um dos meus primeiros sesshin (retiro zen silencioso). Eram muitas horas por dia sentada em zazen. O corpo reclamava da postura, a mente tentava romper a torrente de pensamentos, reclamações, resmungos. Estávamos já no terceiro ou quarto dia do sesshin. A dor nas pernas era insuportável. Resolvi seguir uma partícula de oxigênio. Estaria mesmo a seguindo? Respirei suavemente pelas narinas, percebi essa molécula entrando nos pulmões, passeando pelas artérias, chegando a meu pé direito, dobrado sobre a coxa esquerda. Depois fazendo a troca e o gas carbonico saindo, lenta, suavemente pelas narinas. Foi um momento mágico. Onde estava a dor? Onde ficaram os pensamentos?
Noutro momento aconteceu algo também extraordinário: percebi que se inspirasse e retivesse o ar e depois o soltasse lentamente, o abdomen se contraia e havia momentos em que parecia não precisar respirar. Sem esforço.
Como se meu próprio corpo me ensinasse princípios do pranayama.

Naquela época eu não conhecia nada do Yoga.
Continuo conhecendo muito pouco.
Mas, desde a minha primeira aula senti que havia encontrado um caminho maravilhoso. Caminho que completa e se ajusta à vida monástica, aos ensinamentos de Buda, ao conhecimento de mim mesma.

Mestre Zen Eihei Dogen (1200-1253) também escreveu:
"Estudar o Caminho de Buda é estudar a Si mesmo. Estudar a Si mesmo é esquecer-se de si mesmo. Esquecer-se de si mesmo é ser iluminado(a) por tudo que existe. É abandonar corpo e mente- seu e dos outros. Nenhum traço de iluminação permanece e essa iluminação é colocada a serviço de todos os seres, de toda a existência"(do texto chamado Genjokoan- A realizaçao na vida diária)
Inspirando. Não inspirando.
Expirando. Não expirando.
Pensando. Não pensando.

Além, muito além, o yogui e o budista se encontram no topo da montanha mais alta, no mais profundo dos oceanos.
Parecem apenas pessoas simples, comuns. Mas, como são leves...

Mãos em prece
Monja Coen


Extraído do site monjacoen.com.br