Saudações:

Em homenagem e reverência profunda à minha Mestra de Ordenação e Treinamento, Venerável Shingetsu Coen Osho.
Que seu Corpo-Dharma, seja como um diamante inquebrantável.
Que tenha próspera longevidade e saúde ilimitada.
Que nenhum mal a atinja.
Que todos os seus esforços sejam recompensados.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Parte 2


O SUTRA DA GRANDE COMPAIXÃO DE KANZEON BODISATVA.
(Poema do Portal Universal de Kanzeon Bodisatva).

Parte 2.

Muito bem, mas como abandonar o pensamento dualístico e permanecer no aqui-e-agora? Como manter a mente vazia de conceituações, dualizações e desejos? Como manter a Mente Una. A receita é... Quando estiver fazendo alguma coisa, apenas faça. Não pense sobre uma coisa enquanto estiver fazendo coisa. Apenas faça!

Na mente “apenas-faça”, dentro e fora se tornam “um”.Abandonando a sua mente-dual, as energias opostas são eliminadas, e a causa primária desaparece como a água que deixada por um longo tempo ao sol, evapora por si mesma. Pensamento dualístico cria Karma. Karma bloqueia o sol. Logo, a água da sua causa primária não pode evaporar rapidamente.

Muito tempo atrás, na Coréia, havia um monge chamado Sok Du, que significa “cabeça-empedrada”. Ele era um monge meio idiota, porém muito determinado. Um dia, Sok Du perguntou ao abade Zen: “O que é o Budha?”
O abade Zen respondeu: “juk shin shi bul”, que significa: “Budha é a mente”. Sok Du não escutou direito o que o abade disse. Ele pensou ter escutado: “jip shin shi bul”, que significa: “Budha é sapatos de grama”. Ele nunca duvidou da resposta, nunca verificou se o que ele tinha escutado era aquilo mesmo ou não. Sok Du apenas mantinha essa resposta na mente com determinação no meio de todas as suas atividades, estivesse ele sentado, de pé, comendo ou trabalhando.

Então, certo dia, enquanto carregava lenha, escorregou numa pedra. A madeira saltou das suas mãos, suas sandálias de palha voaram para o ar, enquanto ele dava uma cambalhota e se estatelava no chão. Quando as sandálias, que voaram alto, caíram, o fizeram com as solas viradas para cima bem na sua frente. Ao ver isso, naquele exato instante, Sok Du alcançou a iluminação. As sandálias viradas, sua mente e todo o universo se tornaram completamente “um”. Naquele ponto, ele viu a sua verdadeira natureza. “Uau! Disse ele, Budha é sapatos de grama!”
Voltou correndo para o templo, gritando, “Mestre! Mestre! Agora eu entendo Budha!”
“Oh? Então me diga o que você entende sobre o Budha.”
Sok Du pegou seus sapatos de grama e bateu com eles na cabeça.
“Só isso?” O mestre Zen perguntou.
“Meus sapatos de grama estão rasgados!” disse Sok Du.
O mestre deu uma grande gargalhada e falou:
“Ah, Maravilhoso! Agora você realmente entendeu o que o Budha!”
Esta é uma estória muito interessante sobre como possuir a Mente Una. Apenas siga praticando mantendo uma Grande Questão em sua mente, e logo tudo ficará claro para você. É muito fácil! A coisa mais importante é quando você estiver fazendo alguma coisa, apenas faça, mas, faça com o corpo inteiro.

Esse é o cerne do Sutra do Lótus da lei Maravilhosa.
Não percam a parte 3.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Poema do Portal Universal de Kanzeon Bodisatva - Parte 1



SADDHARMA PUNDARIKA SUTRA (SUTRA DE LÓTUS DA LEI MARAVILHOSA)
CAPÍTULO XXV
O SUTRA DA GRANDE COMPAIXÃO DE KANZEON BODISATVA.
(Poema do Portal Universal de Kanzeon Bodisatva).

Em homenagem a minha mestra de ordenação e ensinamentos – Monja Coen.

Parte 1.
Introdução:
O Saddharma Pundarika Sutra (em português - Sutra de Lótus da Lei Maravilhosa, em chinês - Miào Falián Huájīng, em japones - MyōhōRenge kyō) é um extenso texto composto de vinte e oito capítulos, é tido como um dos sutras mais populares e influentes do budismo mahayana.

Algumas tradições o consideram a transmissão mais importante do Budha Sakyamuni. Faz parte do cânone de muitas linhagens budistas e é o sutra fundamental das escolas japonesas Tendai e Nichiren. Sua importância é tal que algumas escolas budistas o utilizam como única referência em sua prática devocional, como a escola Nichiren Shu.

O sutra Já foi traduzido por centenas de estudiosos, de todas as traduções, a considerada mais precisa é uma versão de sete rolos escrita por Kunarajiva no ano de 406.

Na tradição Soto Zen Shu recita-se tradicionalmente os capítulos dezesseis (Poema da Longevidade do Tathagata) e o vinte e cinco (Poema do Portal Universal de Kanzeon Bodisatva).

O que vamos estudar aqui é o Poema do Portal Universal de Kanzeon Bodisatva.

Ao longo da história do budismo, um grande número de sutras budistas tem chegado ao nosso conhecimento. Essa extensa quantidade de sutras deve-se ao fato do Budha ter ministrado seus ensinamentos durante 45 anos, tendo efetuado, segundo declaram, oitenta e quatro mil ensinamentos.

Os sutras são a forma escrita das várias palestras, ensinamentos, conversas e detalhes da vida e obra do Budha Sakyamuni, eles abordam desde a forma de como devemos nos portar em sociedade até uma explicação minuciosa sobre a cosmologia do mundo, passando detalhada e minuciosamente por seus aspectos doutrinários, revelando assim uma filosofia completa de vida.

O Sutra de Lótus, devido a uma combinação de amplitude e detalhes, disserta sobre o potencial infinito da vida através de parábolas e descrições de acontecimentos surpreendentes e nos ensina como alcançar a mente de completa quietude (mente “una” ou mente original).

Essa mente “una” ou mente original, não é algo que se alcança, a possuímos desde sempre. Todavia, no surgimento de um único pensamento dualístico, ela se perde. Enquanto você lê esse texto e segue algum pensamento que esvoaça através da sua mente, o texto e você se tornam separados. Porém, quando interrompe essa distração e mergulha dentro das palavras, você e o que está escrito passam a ser um só. Quando aquele que lê e o texto se tornam um só, a pessoa e o mundo também se tornam unos. Quando você deixa de ser você e o mundo deixa de ser ele, ambos passam a ser “um” só – essa é a mente “una”.

O Sutra do Lótus nos mostra como é essa mente “una”.Ele também ensina que aquele que perceber completamente essa natureza se tornará um Budha.
Esta é uma linha muito interessante. O sutra não diz que você vai conseguir a iluminação em alguma “outra” vida, outra vida não é exatamente a próxima vida. Isto é só uma distinção que vem do fato de se usar palavras para descrever algo além das palavras. Não há nenhum lugar para nos tornarmos Budhas além de agora mesmo, aqui, neste exato momento. Isto não vai acontecer em nenhum outro lugar, em um outro tempo ou em outra vida. Um discípulo do Budha vive completamente o momento, essa é sua prática. Por estar aqui e exatamente agora, então, “próxima vida” significa este momento.
Você só tem este momento - próxima vida não existe. No momento da experiência, você já é Budha. Esta verdade é inestimável. Alcançar a mente “una” não é fácil nem difícil. No Zen não praticamos para nos tornarmos Budhas, quando praticamos já somos Budhas. Significa simplesmente que enquanto estivermos (a pessoa e o mundo) juntos e misturados, não há dentro ou fora, nem sujeito nem objeto. Neste momento, sujeito e objeto - BUM ! São um. Apenas faça e você já é um Buda.

Não percam a parte 2.

domingo, 20 de novembro de 2011

O Samurai e o mestre zen.


Certo dia um Samurai, que era um guerreiro muito orgulhoso, veio ver um Mestre Zen.
Embora fosse muito famoso, belo e habilidoso, ao olhar o Mestre, o Samurai sentiu-se inferior.

Ele então disse ao Mestre:- "Por que estou me sentindo inferior? Apenas um momento atrás, tudo estava bem. Quando entrei aqui, subitamente me senti inferior e jamais me senti assim antes. Já encarei a morte muitas vezes, mas nunca experimentei isso algum. Por que estou assustado agora?"

O Mestre falou:- "Espere. Quando todos tiverem partido, eu te respondo."Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver e serem orientados pelo Mestre. O Samurai ia ficando cada vez mais irritado e cansado de esperar.

Ao anoitecer, quando o templo ficou vazio, o Samurai perguntou novamente:

- "Agora o senhor pode me responder por que me sinto inferior?"


O Mestre o levou para fora. Era uma noite de lua cheia e a lua estava justamente surgindo no horizonte.
Ele disse:- "Olhe para estas duas árvores: a árvore alta e a árvore pequena ao seu lado. Ambas estiveram juntas ao lado de minha janela durante anos e anos nunca houve problema algum.


A árvore menor jamais disse à maior: 'Por que me sinto inferior diante de você?' A árvore maior também nunca se sentiu superior a meno.


Esta árvore é pequena e aquela é grande - este é o fato, e nunca ouvi sussurro ou comentário algum sobre isso."

O Samurai então argumentou:- "Isto acontece porque elas não podem se comparar."

E o Mestre replicou:- "Então não precisa me perguntar. Você sabe a resposta.


Quando você não compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem.


Você é o que é e simplesmente existe.


Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa, você é você mesmo.


Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas.


O canto de um pássaro é tão necessário quanto qualquer Bhuda, pois o mundo será menos rico se este canto desaparecer.


Simplesmente olhe à sua volta. Tudo é necessário e tudo se encaixa.


É uma unidade orgânica: ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior. Cada um é incomparavelmente único.


Você é necessário e basta.


Na Natureza, tamanho não é diferença.


Tudo é expressão igual de vida!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

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domingo, 6 de novembro de 2011

Quem vive em delusão se apega a tudo


 O eu é responsável pelas sessenta e duas opiniões pessoais.

Assim, quando começarem a surgir muitas opiniões próprias, apenas faça zazen tranquilamente e as observe aparecendo.
No que estão baseadas, tanto dentro como fora de você?
Seu corpo, pelos e pele vieram de seus pais. Entretanto, as duas gotas de seus pais, vermelha e branca, são vazias, desde o princípio até o final dos tempos.
Aqui não há um eu permanente.
O que dizer da mente, pensamento, compreensão e conhecimento?
O que, em última instância, são o inalar e o exalar?
O que amarra uma vida, o que é tudo isto afinal de contas?
Nenhuma parte é o eu.
Como ficar apegada a qualquer uma delas?
Não há nada a se apegar.
A pessoa que vive em delusão se apega a todas as coisas.

A pessoa Desperta se liberta de todo e qualquer apego.

("Gakudo Yojinshu" de Mestre Dogen Zenji)

Postado por Evandro Seido no faceboock

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

POR QUE PALAVRAS?


Um monge aproximou-se de seu mestre — que se encontrava em meditação no pátio do templo à luz da Lua — com uma grande dúvida:
"Mestre, aprendi que confiar nas palavras é ilusório; e diante das palavras, o verdadeiro sentido surge através do silêncio.

Mas vejo que os sutras e as recitações são feitas de palavras; que o ensinamento é transmitido pela voz.
Se o Dharma está além dos termos, porque os termos são usados para defini-lo?"
O velho sábio respondeu: "As palavras são como um dedo apontando para a Lua; cuida de saber olhar para a Lua, não se preocupe com o dedo que a aponta."
O monge replicou: "Mas eu não poderia olhar a Lua, sem precisar que algum dedo alheio a indique?"
"Poderia," confirmou o mestre, "e assim tu o farás, pois ninguém mais pode olhar a lua por ti.

As palavras são como bolhas de sabão: frágeis e inconsistentes, desaparecem quando em contato prolongado com o ar.
A Lua está e sempre esteve à vista.
O Dharma é eterno e completamente revelado.
As palavras não podem revelar o que já está revelado desde o Primeiro Princípio."
"Então," o monge perguntou, "por que os homens precisam que lhes seja revelado o que já é de seu conhecimento?"
"Porque," completou o sábio, "da mesma forma que ver a Lua todas as noites faz com que os homens se esqueçam dela pelo simples costume de aceitar sua existência como fato consumado, assim também os homens não confiam na verdade já revelada pelo simples fato dela se manifestar em todas as coisas, sem distinção. Desta forma, as palavras são um subterfúgio, um adorno para embelezar e atrair nossa atenção.

E como qualquer adorno, pode ser valorizado mais do que é necessário."
O mestre ficou em silêncio durante muito tempo. Então, de súbito, simplesmente apontou para a lua.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Mente de Principiante



"Há muitas possibilidades na mente do principiante, mas poucas na do perito."

As pessoas dizem que é difícil praticar Zen, mas há um mal-entendido quanto ao "porquê". Não é difícil porque seja árduo sentar-se de pernas cruzadas ou atingir a iluminação. É difícil porque é árduo manter a mente pura ou a prática pura em seu sentido fundamental. A escola Zen desenvolveu-se de muitas maneiras depois de estabelecida na China mas, ao mesmo tempo, tornou-se cada vez mais impura. Contudo, não é sobre o Zen chinês ou sobre a história do Zen que eu quero falar. O que me interessa é ajudar você a manter sua prática livre da impureza.

No Japão, dispomos do termo shoshin, que significa "mente de principiante". O objetivo da prática é conservar nossa "mente de principiante". Suponhamos que você recite o Prajna Paramita Sutra uma só vez. Poderia ser uma boa recitação. Mas o que lhe acontecerá se o recitar duas, três, quatro ou mais vezes? Você poderia facilmente perder sua atitude original em relação a ele. O mesmo acontecerá com suas outras práticas Zen. Por algum tempo você manterá sua mente de principiante, porém, se continuar a prática um, dois, três anos ou mais, embora você possa melhorar em alguns aspectos, é possível que perca o sentido ilimitado da "mente original".

Para os estudantes do Zen, o mais importante é não serem dualistas. Nossa “mente original" inclui em si todas as coisas. Ela é sempre rica e auto-suficiente. Você não deve perder esse estado mental auto-suficiente. Isto não significa uma mente fechada e sim, na verdade, uma mente vazia e alerta. Se sua mente está vazia, está pronta para qualquer coisa; ela está aberta a tudo. Há muitas possibilidades na mente do principiante, mas poucas na do perito.

Se você discrimina demais, você se limita. Se é exigente ou ambicioso em excesso, sua mente não é rica nem auto-suficiente. Se nossa mente perder sua auto-suficiência original, todos os preceitos se perderão. Quando sua mente se torna exigente, quando você anseia por algo, você acaba por violar os preceitos: não mentir não roubar; não matar, não ser imoral e assim por diante. Se você conservar sua mente original, os preceitos se manterão por si próprios.

Na mente do principiante não há pensamentos do tipo "eu alcancei algo". Todos os pensamentos egocentrados limitam a vastidão da mente. Quando não alimentamos pensamento nenhum de conquista, nem pensamentos egocentrados, somos verdadeiros principiantes e podemos então aprender alguma coisa de fato. A mente do principiante é mente de compaixão. Quando nossa mente é compassiva, torna-se ilimitada. O mestre Dogen, fundador da nossa escola, sempre enfatizou a importância de preservar nossa mente original ilimitada. Com ela somos verdadeiros conosco, estamos em comunhão com todos os seres e podemos, de fato, praticar.

Assim, a coisa mais importante é manter sua "mente de principiante". Não há necessidade de ter uma profunda compreensão do Zen. Mesmo que você leia muita literatura Zen, deve ler cada frase com uma mente virgem. Nunca deve dizer: "Eu sei o que é Zen' ou "eu atingi a iluminação". O real segredo das artes também é esse: ser sempre um principiante. Seja muito cuidadoso nesta questão. Se começar a praticar zazen, você começará a valorizar sua mente de principiante. Este é o segredo da prática do Zen.
Shunryu Suzuki